Ivan Rodrigues dos Santos Júnior, de 18 anos, não dá nenhuma notícia a sua família há 10 dias, quando saiu de casa, em Itapuã, em Salvador, por volta das 12h30, para tomar um banho de mar em uma praia do bairro.

De lá para cá, os familiares vivem o drama de ter que conviver com incertezas sobre o paradeiro dele e o pior: com a atitude daqueles que tentam de alguma forma se aproveitar da dor dos parentes.  

Ivan e sua mãe, a dona de casa Jamile de Oliveira, moravam juntos há um mês na capital baiana. Recém-chegado da cidade de Santo Amaro, o jovem pouco conhecia o seu novo endereço — a violência do bairro inclusive é um receio da família. 

Com quase 10 mil seguidores no Instagram, Ivan era ativo nas redes sociais. Gostava de gravar sua rotina e momentos de lazer ao lado dos amigos. Foi por meio de um dos seus perfis que a família recebeu a informação de que ele teria ido à uma “festa de paredão” no bairro da Paz. 

“Depois que ele saiu de casa não tivemos mais notícias, ele costumava sair para praia e voltar no final do dia. A última vez que ele visualizou uma mensagem foi às 2h da madrugada [do dia 18]. Até hoje procuramos uma resposta”, conta a mãe.



Mãe do jovem convive com a dor de não saber paradeiro do filho (Foto: Nilson Marinho/Bnews)

Trotes

Jamile diz que a família tem recebido ligações de pessoas que passam informações falsas, o que atrapalha o trabalho da polícia. Em um desses episódios, uma mulher entrou em contato oferecendo informações em troca de dinheiro.

Do outro lado da linha, ela afirmou que o jovem estaria morto, e o seu corpo enterrado em um areal no bairro da Paz. A polícia não confirma a informação.

“São muitos trotes, informações que não sabemos se são verdadeiras e que cabe a polícia investigar. Eu não posso sair de bairro em bairro, de porta em porta, procurando meu filho [...] Eu não durmo, não vivo, fico na esperança de receber qualquer informação”, desabafa a mãe.

Jamile esteve na manhã desta quinta-feira (26), em frente à sede da Polícia Civil, na Praça da Piedade, Centro de Salvador, onde um ônibus do órgão está estacionado para dar suporte às famílias de pessoas que possuem entes desaparecidos.

Além do levantamento de informações sobre novos casos, está sendo feita a coleta de material genético para a comparação com ossadas de pessoas sem identificação que estão em IMLs de todo o Brasil. O veículo ficará no local das 8h às 17h desta quinta, sexta (27) e na próxima segunda (30).

Tem alguma informação?

A Delgacia de Proteção à Pessoa (DPP) atende 24 horas por dia, todos os dias da semana pelos telefones (71) 3116-0000 ou (71) 3116-0357. Para dar qualquer informação referente a algum caso é preciso ligar para os números acima o Disque Denúncia através dos telefones (71) 3235-0000 ou 181 (interior da Bahia).

Informações também podem ser compartilhadas no perfil do DPP no Instagram @desaparecidospcba. Além desta ferramenta, a delegacia conta também conta com uma página no Facebook e o aplicativo WhatsApp. Por meio do número 71 99631-6538, o cidadão pode tirar dúvidas e enviar fotos de desaparecidos.

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